Formação de Professores
Carla Inez Lima de Freitas
O que na vida, na cognição e no ato chamamos de objeto definido só adquire determinidade na nossa relação com ele: é nossa relação que define o objeto e sua estrutura e não o contrário; só onde a relação se torna aleatória de nossa parte, meio caprichosa, e nos afastamos da nossa relação de princípio com as coisas e com o mundo, a determinidade do objeto resiste a nós como algo estranho e independente e começa a desagregar-se, e nós mesmos ficamos sujeitos ao domínio do aleatório, perdemos a nós mesmos e perdemos também a determinidade estável do mundo. (Bakhtin, 2006, p. 4)
Ouve-se, frequentemente, que a educação escolar brasileira sofre uma crise profunda e grave e que a “Escola” precisa mudar para atender as demandas atuais. Ouve-se que professores graduados, em uma área específica, muitas vezes, encontram grandes dificuldades, quando, no enfrentamento da prática, descobrem que o conhecimento que obtiveram durante sua graduação é insuficiente para atingir seu objetivo maior, que seria ajudar consistentemente todos os seus alunos a aprenderem. Pois, parei para pensar, ao assistir, tempos atrás, um filme intitulado "A Escola do Rock". O protagonista é um músico "fracassado" que toma o lugar de um amigo e passa a atuar como professor em uma escola, pois de acordo com sua filosofia "quem não sabe fazer ensina" ... Durante o desenrolar do filme, o “ falso professor”, abandona o programa estabelecido e de forma secreta começa a ensinar Rock'n'roll , que parece ser o que ele sabe melhor. Como resultado, ao considerar e valorizar as capacidades de cada criança, ele obtém sucesso, pois elas, motivadas e valorizadas conseguem ótimos resultados no que se propuseram a realizar.
Quando se fala em “fracasso” na educação o primeiro ponto de debate é a “formação” do professor. E pensando sobre formação, surgem questionamentos: andamos ensinando o que não sabemos? Sabemos o que temos de ensinar? Afinal, quem é o professor de hoje e quem será o professor do futuro? Afinal, o que temos que ensinar, o que eles precisam aprender? Quando paramos para pensar sobre isso?
Ao se falar sobre ensino/aprendizagem é muito importante adquirir consciência da diferença entre as "certezas cotidianas" e o "conhecimento científico". O que é difícil entender, me parece, é que, muitas vezes, estas certezas estão fixas em nossas mentes, em nossos corpos e, por isso, é quase impossível de uma hora para outra nos livrarmos delas.
Nós, professores, frequentamos escolas desde muito cedo e por muito tempo, quase a maior parte de nossas vidas estamos nesse lugar (a escola). Primeiro como alunos, depois como professores, em certos momentos as duas situações ao mesmo tempo. Se fizéssemos uma retomada de nossa vida dentro da escola, lembraríamos que, vivenciamos mudanças (mesmo que mínimas) na escola. Mudanças de concepções, de linguagens, de formas de ver o outro e a si mesmo, diferentes maneiras de ensinar e aprender, diferentes concepções, filosofias, novas tecnologias sendo incorporadas ao nosso cotidiano.
Depois desse exercício de "reviver nossa história escolar" seria bom refletirmos e identificarmos quais dessas situações que vivenciamos/aprendemos ficaram impregnadas em nossos corpos mentes? Como nos desamarrarmos daquilo que não está funcionando mais, que um dia, talvez, em outro momento histórico, funcionou, mas que agora já não tem mais razão de ser?
Depois desse exercício de "reviver nossa história escolar" seria bom refletirmos e identificarmos quais dessas situações que vivenciamos/aprendemos ficaram impregnadas em nossos corpos mentes? Como nos desamarrarmos daquilo que não está funcionando mais, que um dia, talvez, em outro momento histórico, funcionou, mas que agora já não tem mais razão de ser?
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